Após mais de uma década sem figurar no Fantástico, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul voltou a ser destaque no programa da TV Globo. A reportagem, exibida no último domingo (20), mostrou o trabalho da instituição na descoberta de suspeitas de fraudes na compra de medicamentos contra o câncer, que envolvem superfaturamento, importação irregular e fornecimento de remédios sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A investigação jornalística, conduzida pelo repórter Giovanni Grizotti, apresentou casos em diferentes estados brasileiros e destacou a atuação da Defensoria de MS na identificação de irregularidades em compras de medicamentos autorizadas pela Justiça. Por meio do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), a instituição identificou situações nas quais decisões judiciais obtidas para garantir tratamentos de saúde foram utilizadas em esquemas suspeitos de fraude. A Defensoria passou a desconfiar dos valores apresentados por pequenas farmácias, que ofereciam medicamentos por preços inferiores aos praticados no mercado. A apuração identificou a importação de remédios de países como Índia, China, Paquistão e Turquia, sem registro no Brasil. Segundo a coordenadora do NAS, defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, a instituição identificou que os medicamentos entregues aos pacientes não correspondiam aos produtos determinados pela Justiça. "Essas importações eram feitas ao menor custo, de diferentes países fabricantes. Eram medicamentos sem registro no Brasil. O medicamento que chegava ao paciente não tinha segurança sanitária e não era aquele determinado judicialmente", explicou a defensora. Fraudes A reportagem também apresentou o caso de um paciente de Mato Grosso do Sul que recebeu medicamentos sem registro na Anvisa. Durante a apuração, a Defensoria encontrou até receitas médicas falsas utilizadas por farmácias para comprar remédios no exterior em nome do paciente. O homem, identificado como Luiz Carlos, morreu em maio deste ano. Sua esposa, Elaine, participou da reportagem e relatou a situação enfrentada pela família. De acordo com as investigações apresentadas pelo Fantástico, dois funcionários da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul repassavam pedidos de compra de medicamentos às farmácias envolvidas no esquema. Em um dos exemplos citados, um medicamento com custo de aproximadamente R$ 1.200 a R$ 1.600 era apresentado em processos por R$ 100 mil para três meses de tratamento. Entre 2021 e 2025, as empresas investigadas movimentaram mais de R$ 70 milhões. Os dois funcionários da Secretaria de Saúde foram afastados, e o caso também é investigado pela polícia. A reportagem mostrou ainda investigações no Rio Grande do Sul e no Paraná, com suspeitas de falsificação de medicamentos, fraudes em licitações e prejuízos a pacientes com câncer. A participação no Fantástico levou ao público nacional o trabalho da Defensoria de MS na fiscalização do cumprimento de decisões judiciais e na identificação de irregularidades que podem comprometer o tratamento de pacientes que dependem de medicamentos fornecidos pelo Poder Público.



