Em meio a grandes volumes de documentos, planilhas e relatórios, identificar inconsistências em contratos públicos pode ser uma tarefa complexa e demorada. Foi para tornar esse trabalho mais preciso, eficiente e confiável que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) desenvolveu o Luppa, ferramenta baseada em inteligência artificial que está entre as finalistas do Prêmio CNMP 2026. Concebido, em trabalho conjunto, pela Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) e pela Secretaria de Administração (Sead) do MPMS para apoiar a atuação de fiscais e gestores de contratos, o sistema automatiza a leitura, a extração e a análise de informações presentes nos documentos vinculados às contratações da instituição. A tecnologia é capaz de identificar divergências, irregularidades e possíveis cobranças indevidas que poderiam passar despercebidas ou demandar longos períodos de conferência manual. Mais do que acelerar procedimentos, a ferramenta fortalece a tomada de decisões baseada em evidências, amplia a rastreabilidade das análises e contribui para uma gestão mais responsável dos recursos públicos. Ao transformar dados em informações qualificadas, o Luppa ajuda a aprimorar os mecanismos de fiscalização e controle dentro do MPMS. Tecnologia a serviço da boa gestão O principal diferencial do projeto está na combinação entre inteligência artificial e governança pública. Antes da implantação do sistema, a conferência contratual demandava o trabalho de quatro servidores durante cerca de 20 dias. Com a automação, o mesmo processo passou a ser realizado por apenas um colaborador em 10 dias, reduzindo significativamente o tempo de análise e liberando as equipes para atividades mais estratégicas. Os resultados demonstram o impacto da iniciativa. O projeto possibilitou uma redução de 87,5% no esforço operacional destinado à fiscalização contratual, um aumento de produtividade e o monitoramento automatizado de contratos que movimentam cerca de R$ 24 milhões por ano. Além disso, a ferramenta ampliou a capacidade institucional de identificar inconsistências e fortaleceu a segurança das análises realizadas. Outro avanço importante foi a criação de um ambiente mais transparente e auditável. Cada análise realizada pelo sistema gera registros estruturados e rastreáveis, permitindo maior controle dos procedimentos e facilitando auditorias e verificações futuras. Para os desenvolvedores da iniciativa, o Luppa demonstra como a inteligência artificial pode atuar como aliada da administração pública. Ao automatizar tarefas complexas e transformar grandes volumes de documentos em informações qualificadas, a ferramenta amplia a capacidade de fiscalização, fortalece a proteção dos recursos públicos e permite que os servidores direcionem seus esforços para análises cada vez mais estratégicas e resolutivas. Ao incorporar inteligência artificial aos processos de fiscalização contratual, o Luppa contribuiu para uma atuação mais eficiente, transparente e orientada por evidências. A iniciativa evidencia o potencial da tecnologia para qualificar a gestão pública, fortalecer os mecanismos de controle e ampliar a proteção dos recursos públicos. O reconhecimento desse trabalho levou o projeto à condição de finalista do Prêmio CNMP 2026, que destaca iniciativas inovadoras desenvolvidas pelos Ministérios Públicos de todo o País. A classificação final dos vencedores será conhecida durante a cerimônia de premiação marcada para o dia 11 de novembro, na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em Brasília. Texto: Karla Tatiane Foto: Decom / MPMS Revisão: Frederico Silva