• Cerimônia de certificação foi realizada em Ponta Porã na noite de quinta-feira, 22 - Foto: Campus Ponta Porã
  • Reitora Elaine Cassiano e diretora-geral do Campus Nova Andradina participaram do evento - Foto: Campus Ponta Porã

Na noite da última quinta-feira, 22, o Campus Ponta Porã do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) sediou a cerimônia de certificação de cinco professores de Moçambique que realizam uma formação técnica na área agrícola.

O evento contou com a participação da comunidade acadêmica e foi conduzido pela reitora Elaine Cassiano e pelos diretores-gerais dos dois campi que receberam os profissionais africanos: Débora de Almeida, do Campus Nova Andradina, e Izidro de Lima Júnior, de Ponta Porã.

"Trata-se de uma ação concreta de cooperação internacional entre Brasil e Moçambique, que demonstra como uma política estabelecida em âmbito governamental pode se transformar em experiências de aprendizagem e integração dentro dos Institutos Federais", aponta a assessora de Relações Internacionais, Tania Mara Sasaki.

Voltada ao fortalecimento da educação profissional e tecnológica em áreas estratégicas para o desenvolvimento socioeconômico moçambicano, a ação de cooperação é coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), em parceria com a Secretaria de Estado do Ensino Técnico Profissional de Moçambique (SEETP).

Além do Campus Ponta Porã, que recebeu os professores Mário Filipe Muabsa e Anésio José Uqueio, o Campus Nova Andradina recepcionou para a etapa presencial da formação as educadoras Argentina Mariana Rafael Sele, Adriana Eugénio Niuaquela Roque e Rosita Antonio Augusto.

A oferta do curso foi em formato híbrido, com total de 140 horas de formação, combinando metodologias de ensino presencial e virtual para maximizar o aprendizado e a interação entre os participantes.

A etapa virtual foi dividida entre atividades síncronas e assíncronas, abordando temáticas como Metodologias de Ensino, Mecanização Agrícola, Sistema de Irrigação, Análise dos Solos, Fertilização e Produção de Compostos Orgânicos, Processamento de Cereais, Frutas e Leguminosas e Controle de Pragas e Doenças.

Já a etapa presencial, realizada desde o mês passado, possibilitou que os formadores moçambicanos realizassem atividades práticas, tivessem contato com tecnologias aplicadas ao contexto de seu país de origem e experimentassem metodologias ativas de ensino sob o acompanhamento dos docentes brasileiros.

"Os benefícios vão muito além dos participantes diretamente envolvidos, pois enriquecem também a formação dos nossos estudantes, proporcionando contato com novas culturas, perspectivas e maneiras de compreender o mundo", pontua a coordenadora da formação em Ponta Porã, Priscila Figueiredo.

De acordo com a assessora de Relações Internacionais do IFMS, Tania Mara Sasaki, o Curso de Formação de Formadores Moçambicanos (BRAMOTEC) tem uma importância que vai além da capacitação técnica.

"Trata-se de uma ação concreta de cooperação internacional entre Brasil e Moçambique, que demonstra como uma política estabelecida em âmbito governamental pode se transformar em experiências de aprendizagem e integração dentro dos nossos Institutos Federais", explica.

Para a coordenadora local da formação em Ponta Porã e docente de Ciências Agrárias, Priscila Gonzales Figueiredo, investir em programas como o BRAMOTEC é investir nas pessoas, na educação e no futuro.

"Os benefícios vão muito além dos participantes diretamente envolvidos, pois enriquecem também a formação dos nossos estudantes, tanto do ensino médio quanto do superior, proporcionando contato com novas culturas, perspectivas e maneiras de compreender o mundo".

  • Em Ponta Porã, os professores moçambicanos realizaram a formação durante um mês - Foto: Campus Ponta Porã
  • Em Ponta Porã, os professores moçambicanos realizaram a formação durante um mês - Foto: Campus Ponta Porã
  • Em Ponta Porã, os professores moçambicanos realizaram a formação durante um mês - Foto: Campus Ponta Porã
  • Em Ponta Porã, os professores moçambicanos realizaram a formação durante um mês - Foto: Campus Ponta Porã

Nova Andradina- Quem coordena localmente a iniciativa é a professora da área de Ciências Agrárias, Marcela Silva Carvalho. Para a docente, receber as formadoras moçambicanas deixa um legado para o campus, fortalece a atuação institucional e demonstra que a educação profissional e tecnológica também é uma ferramenta de cooperação, transformação social e desenvolvimento.

Marcela também aponta o efeito multiplicador da iniciativa.

"Estamos contribuindo para a formação de professores que poderão compartilhar os conhecimentos adquiridos com muitos estudantes em Moçambique. Essa convivência também nos faz refletir sobre nossas próprias práticas de ensino, conhecer outras formas de trabalhar e identificar possibilidades de futuras parcerias em ensino, pesquisa e extensão".

Na próxima quarta-feira, 28, está prevista uma roda de conversa com servidores do Campus Nova Andradina. Será um bate-papo para troca de experiências, em que as três professoras moçambicanas mostrarão a realidade do país em aspectos relacionados à cultura e ao ensino.

  • Participantes da formação conheceram a Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai - Foto: Campus Ponta Porã
  • Professoras foram avaliadoras na Feira de Ciência e Tecnologia - Foto: Campus Nova Andradina
  • Formação também incluiu conhecer a parte agrícola do IFMS - Foto: Campus Nova Andradina
  • Visita a uma feira também foi oportunidade de conhecer melhor a culinária local - Foto: Campus Nova Andradina
  • É a segunda vez que o IFMS recebe profissionais moçambicanos para a formação - Foto: Campus Ponta Porã

Aprendizados e diferenças - Se, de um lado, a comunidade do IFMS aprende muito com experiências de internaciolização como essa, de outro, os participantes que vêm ao Brasil também têm a oportunidade de conhecer diferentes realidades.

"A metodologia de ensino é bem centrada no estudante, e as atividades práticas são divididas em pequenas áreas, o que é diferente das nossas em Moçambique", diz Adriana Roque.

Professora em Moçambique há 13 anos, Adriana Roque, 36 anos, ressalta que a formação no IFMS ampliou significativamente seu conhecimento.

"Posso destacar a pesquisa realizada na instituição, os laboratórios de várias áreas em funcionamento pleno, a assistência estudantil e inclusão de estudantes com alguma deficiência. Além disso, a metodologia de ensino é bem centrada no estudante, e as atividades práticas são divididas em pequenas áreas, o que é diferente das nossas em Moçambique".

Pela primeira vez no Brasil, Argentina Sele atua na docência há cinco anos e ressalta que a experiência no Campus Nova Andradina lhe permitiu reconhecer a importância das parcerias entre as instituições de ensino técnico-profissional e o setor produtivo.

"O que mais me cativou no IFMS foi a valorização da pesquisa por parte dos estudantes e o envolvimento de empresas no financiamento de projetos", frisa Argentina Sele.

"O que mais me cativou no IFMS foi a valorização da pesquisa por parte dos estudantes e o envolvimento de empresas no financiamento de projetos. Como professora, pretendo incentivar os formandos a participar de pesquisas e contribuir para a busca e estabelecimento de parcerias com diferentes instituições moçambicanas, até mesmo as internacionais, que possam apoiar o desenvolvimento de projetos, criando mais oportunidades de aprendizagem prática e inovação no setor agrário em Moçambique".

Rosita Augusto, 36 anos, também aponta as parcerias do IFMS com empresas como diferencial, e relata que aprendeu muito com a formação, não só na área agrícola.

"No IFMS, os alunos são mais criativos nos seus projetos de pesquisa, e ressalto também a entrega e dedicação dos professores com os estudantes", opina Rosita Augusto.

"Aprendi novas técnicas de criação de frangos e a conservação de frutas através da fécula da mandioca. No IFMS, os alunos são mais criativos nos seus projetos de pesquisa, e ressalto também a entrega e dedicação dos professores no trabalho em torno dos estudantes".

Para os professores que realizaram a formação no Campus Ponta Porã, o sentimento que prevalece é a gratidão e a certeza de que a experiência trará frutos que vão além da formação técnica.

"Encontramos aqui uma comunidade de pessoas comprometidas com a educação, a ciência, a inovação e, acima de tudo, com a valorização do ser humano. Partimos levando conhecimentos, amizades e a certeza de que esta parceria representa apenas o início de muitas outras oportunidades de cooperação entre Brasil e Moçambique", aponta Mário Muabsa.

Anésio Uqueio também acredita que a formação proporcionou não apenas o aprimoramento de conhecimentos técnicos, científicos e pedagógicos, mas também um valioso crescimento humano, cultural e profissional.

"Encontramos aqui uma comunidade de pessoas comprometidas com a educação, a ciência, a inovação e, acima de tudo, com a valorização do ser humano", ressalta Mário Muabsa.

"Regressamos para Moçambique com a convicção de que o conhecimento compartilhado é uma poderosa ferramenta de transformação social e educacional, e com o compromisso de multiplicar os ensinamentos adquiridos, contribuindo para a formação de outros profissionais e para o desenvolvimento das nossas instituições e comunidades", finaliza.

Internacionalização- O IFMS participou pela primeira vez da cooperação em 2024, quando recebeu três professores do país africano.

De acordo com a assessora Tania Mara, a iniciativa possibilita que a internacionalização ocorra dentro dos próprios campi.

"Os professores moçambicanos não vêm apenas para receber conhecimentos técnicos. Eles também trazem suas experiências profissionais, práticas pedagógicas, necessidades e referências culturais. Isso proporciona uma troca de conhecimentos e vivências na qual nossos docentes e estudantes também aprendem, conhecem outras realidades e ampliam sua compreensão sobre diferentes formas de atuação em outros países".

"Regressamos para Moçambique com a convicção de que o conhecimento compartilhado é uma poderosa ferramenta de transformação social e educacional, e com o compromisso de multiplicar os ensinamentos adquiridos", enfatiza Anésio Uqueio.

A assessora explica que esse é um dos princípios fundamentais da internacionalização: promover o intercâmbio de conhecimentos, culturas e experiências.

"A internacionalização não acontece somente quando enviamos estudantes e servidores ao exterior. Ela também se concretiza quando recebemos profissionais e estudantes de outros países e proporcionamos essas oportunidades de interação à nossa comunidade acadêmica".

Tania também aponta que tal perspectiva está alinhada ao Plano de Desenvolvimento Institucional do IFMS (PDI 2024–2028), o qual contempla a internacionalização como estratégia de fortalecimento institucional e de desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão.

"É isso que buscamos com a internacionalização: transformar políticas e acordos de cooperação em oportunidades reais de aprendizagem, integração cultural e desenvolvimento institucional, nas quais todos os envolvidos tenham algo a ensinar e algo a aprender”, finaliza a assessora.

A internacionalização da educação também é ressaltada pelas coordenadoras do BROMATEC nos campi do IFMS.

"É uma oportunidade de compartilhar, importar e exportar conhecimentos, estabelecendo uma relação de aprendizado mútuo, possibilitando conhecer diferentes realidades, identificar problemas comuns e pensar, conjuntamente, em soluções inovadoras e sustentáveis", comenta a professora Priscila, do Campus Ponta Porã.

"É um aprendizado mútuo. Ao mesmo tempo em que compartilhamos nossos conhecimentos técnicos, científicos e pedagógicos, também temos a oportunidade de conhecer a realidade da educação e da agricultura moçambicana, seus desafios e experiências", afirma a coordenadora da formação em Nova Andradina, Marcela Carvalho.

"Essa experiência fortalece o processo de internacionalização e amplia as oportunidades de troca de conhecimentos, experiências e culturas. É um aprendizado mútuo. Ao mesmo tempo em que compartilhamos nossos conhecimentos técnicos, científicos e pedagógicos, também temos a oportunidade de conhecer a realidade da educação e da agricultura moçambicana, seus desafios e suas experiências", avalia Marcela, coordenadora da ação em Nova Andradina.

Cooperação- A primeira edição do BRAMOTEC foi realizada em 2017. Em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Ministério da Educação, já foram ofertadas formações destinadas a fortalecer competências em áreas como agricultura, construção civil e design de interiores, além de iniciativas relacionadas à segurança alimentar, à implantação de hortas comunitárias e à criação de um centro de formação e pesquisa sobre o algodão, atendendo às necessidades específicas identificadas pelo governo moçambicano.

Essa sexta edição do programa, a quarta na área agrícola, foi concebida para capacitar mais de 70 profissionais moçambicanos de todas as regiões do país, com foco em temas apontados pela Secretaria de Estado de Ensino Técnico Profissional de Moçambique como prioritários para o fortalecimento das cadeias de produção agropecuária no país.

Assim, a formação atende não só à qualificação do ensino profissional e técnico, ampliando os conhecimentos dos formadores, mas também ao desenvolvimento socioeconômico do país, ao capacitá-los para se tornarem multiplicadores de práticas agrícolas sustentáveis e adaptadas ao contexto local.

Além do IFMS, o curso é ofertado em 2026 pelos Institutos Federais do Amapá (IFAP), Baiano (IF Baiano), Fluminense (IFF), Goiano (IF Goiano), do Pará (IFPA), do Sertão Paraibano (IFSertãoPB), do Sudeste de Minas Gerais (IFSUDESTEMG) e do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS).