• Parte das ações foi realizada no Tekoha Guayvyry, localizado no município de Aral Moreira - Foto: Acervo Pessoal
  • Aparelhos celulares e chips foram entregues a indígenas Guarani Kaiowá - Foto: Acervo Pessoal
  • Capacitação em audiovisual abordou aspectos técnicos alinhados à valorização cultural - Foto: Acervo Pessoal
  • Rodas de conversa trataram de saúde mental e violência contra a mulher - Foto: Acervo Pessoal

Executada nos últimos dois anos pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), com recursos do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Meta 2 do Programa Teko Porã apresenta, como principal resultado, o fortalecimento de mulheres e jovens indígenas Guarani Kaiowá, por meio da valorização de práticas culturais e do incentivo à governança local.

Entre novembro de 2025 e março deste ano, foi realizada uma série de ações em aldeias e áreas de retomada da região sul do estado, como a entrega de celulares e chips, capacitação técnica em audiovisual, oficina de teatro, além de rodas de conversa sobre saúde da mulher e violência doméstica, com a produção de uma cartilha traduzida para o guarani.

"Sabemos da centralidade das mulheres na organização social e no fazer político, então oferecer celulares e chips com acesso à internet a elas foi uma forma que encontramos de amplificar essas vozes", ressalta a coordenadora da Meta 2, Flávia da Costa.

Para a coordenadora da Meta 2, a antropóloga Flávia Carolina da Costa, os resultados se refletem diretamente na autonomia das participantes.

"Sabemos da centralidade das mulheres na organização social e no fazer político, sobretudo nos contextos das áreas de retomada. Então, oferecer celulares e chips com acesso à internet foi uma forma que encontramos de amplificar as vozes dessas mulheres para que se fortaleçam nas tomadas de decisões que, por consequência, fortalecem também a noção de coletividade, que é tão importante para os Guarani Kaiowá", ressalta.

A capacitação em audiovisual foi ministrada pelo técnico do Campus Dourados do IFMS, Marlon Glauber Marinho, no Tekoha Guayvyry, em Aral Moreira. Com foco na edição de conteúdos voltados às redes sociais, a formação abordou aspectos de enquadramento, iluminação e fotografia, alinhados à valorização cultural e ao combate a preconceitos.

"Trabalhamos como combater estereótipos e preconceitos por meio das redes sociais, como elas ajudam a denunciar situações de violência e a defender direitos, como podem ser usadas para dar visibilidade à cultura indígena e auxiliar a sociedade como um todo a compreender a diversidade de saberes que podem coexistir em um mesmo país. Isso oferece aos jovens a autonomia de contar suas próprias histórias, de serem protagonistas delas", reforça Flávia.

  • Em oficinas de escuta, indígenas interagiam sobre temas como o impacto da violência no cotidiano - Foto: Acervo Pessoal
  • Ações buscaram estimular o empoderamento das mulheres e meninas Guarani Kaiowá - Foto: Acervo Pessoal
  • Equipe da Meta 2 levou ações à comunidade Jopara, em Coronel Sapucaia - Foto: Acervo Pessoal
  • Meninas e mulheres da comunidade Kurusu Amba 4, em Coronel Sapucaia - Foto: Acervo Pessoal

Em outra frente, a socióloga Caroline Andressa Momente Melo conduziu oficinas de escuta baseadas na metodologia do Teatro do Oprimido. Eram momentos de interação entre os indígenas, focadas em abordar como situações de violência vivenciadas no cotidiano impactavam coletivamente as famílias Guarani Kaiowá.

"Os participantes eram estimulados a refletir de forma crítica sobre essas violências e a procurar soluções a partir do diálogo em comunidade para enfrentamento a essas situações, promovendo o fortalecimento da juventude na tomada de decisões e a transformação social", explica a coordenadora da meta.

"O maior legado [da Meta 2] foi estimular o empoderamento das mulheres e meninas Guarani Kaiowá. Auxiliar essas jovens a se sentirem impulsionadas para dar continuidade à trajetória de resistência que as anciãs já fazem foi extremamente emocionante", destaca a coordenadora.

Outro eixo expressivo da Meta 2 estava relacionado à saúde mental e ao combate à violência contra a mulher, com rodas de conversa conduzidas pela psicóloga Ester Naiá Ferreira Melo. As ações contaram com a produção e distribuição de um guia impresso para identificar diferentes tipos de agressões - desde posturas dissimuladas até violências físicas -, com tradução para a língua guarani realizada pela bolsista indígena John Nara Gomes.

"Acredito que a abordagem humanizada do assunto, o material traduzido para a língua guarani e a apresentação de vias oficiais de apoio às mulheres em situação de violência foram a garantia de sucesso dessa atividade em todos os territórios em que foi desenvolvida", avalia Flávia.

Ao realizar o balanço do impacto gerado ao longo de dois anos de execução da Meta 2, a antropóloga destaca a principal herança deixada para os territórios indígenas atendidos.

"Sem dúvida, o maior legado foi estimular o empoderamento das mulheres e meninas Guarani Kaiowá. Auxiliar essas jovens a se sentirem impulsionadas para dar continuidade à trajetória de resistência que as anciãs já fazem foi extremamente emocionante", finaliza a antropóloga.

  • Certificação do curso de cabeleireira foi realizada em setembro de 2025 - Foto: Marlon Marinho
  • Na ocasião, cada participante do curso recebeu o certificado de conclusão e um kit profissional - Foto: Marlon Marinho
  • Ao todo, 44 mulheres e jovens Guarani Kaiowá concluíram o curso de cabeleireira - Foto: Marlon Marinho

Capacitação Profissional - Em uma primeira etapa da Meta 2 do Programa Teko Porã, quando as ações estavam sob coordenação da professora de História do Campus Dourados do IFMS, Cryseverlin Dias Pinheiro Santos, foi oferecido um curso de cabeleireira a mulheres Guarani Kaiowá de Amambai.

A certificação foi realizada em setembro de 2025. Na ocasião, cada uma das 44 mulheres da Aldeia Amambai e da área de retomada Guapo’y Mirim Tujuri recebeu, além do certificado de conclusão do curso, um kit completo de cabeleireira com tesoura, pente, escova, máquina de corte, secador, prancha alisadora, borrifador, capa de corte e outros acessórios.

Com carga horária de 42 horas e duração de cinco semanas, o curso abordou temas como a história da barbearia e do cabeleireiro, ética profissional, normas de higiene, estrutura, fisiologia e tipos de cabelo, cuidados específicos, técnicas de corte, coloração e tratamentos, além da prática supervisionada.

Teko Porã - Lançado em abril de 2025 e previso para ser finalizado neste mês, o 'Programa Teko Porã: Fortalecimento do Bem Viver do Povo Guarani Kaiowá' investiu em uma série de ações para o fortalecimento territorial, cultural, social e econômico das comunidades que vivem na região sul de Mato Grosso do Sul.

Por meio do Termo de Execução Descentralizada (TED) do Ministério dos Povos Indígenas no valor de R$ 6,8 milhões, o IFMS foi a instituição responsável por executar oito metas que buscaram fomentar a autonomia indígena, segurança alimentar, preservação cultural e proteção ambiental.

Além dos mais de 140 indígenas que receberam bolsa para participar da execução das metas, o programa contou ainda com outros 50 bolsistas, como antropólogos, engenheiros ambientais, sociólogos, entre outros profissionais.

Mais informações sobre as demais metas estão disponíveis na página do Programa Teko Porã.