• Palestra de Simone Tebet foi realizada em 4 de setembro como programação da Reditec 2025, em Bonito
  • Ministra abordou temas relacionados a planejamento, orçamento e educação no Brasil
  • Auditório do Centro de Convenções de Bonito lotou com presença da Ministra

Texto: Angélica Lúcio (IFPB) Revisão: Laura Silveira (IFMS) Fotos: Rodrigo Ávila (IFMS) e Anderson Oliveira

A Rede Federal tem dado uma grande contribuição ao Brasil, mas tem potencial para fazer muito mais. Esta foi uma das mensagens deixadas pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet no último dia 4, enquanto palestrante da 'Sessão Nobre' na 49ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Reditec 2025). O evento foi organizado pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) na cidade de Bonito.

No encerramento da conferência, realizada no dia 4 de setembro com o tema “Somos Maiores do que o Mundo: Planejamento e Orçamento”,

Ao lado da reitora do IFMS, Elaine Cassiano, e da presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Ana Paula Giraux (também reitora do Colégio Pedro II), a ministra comentou que foi convidada por Elaine, ou melhor, “convocada”, para participar da Reditec.

“É um motivo de muito orgulho. Não poderia deixar de atender a essa convocação e é o que estou fazendo hoje”

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Tebet afirmou ter se sentido ainda mais motivada a participar da Reditec 2025 ao conhecer o tema do evento: “A Rede Federal é maior do que o mundo”, inspirado na poesia de Manoel de Barros. Ela destacou sua admiração pelo poeta mato-grossense e por Mário Quintana, seus autores preferidos, e ressaltou a relevância da sustentabilidade.

“Projetar o futuro da educação com foco na sustentabilidade também é um caminho que tem que estar sempre na agenda e no currículo de qualquer curso que se administre, seja na educação básica, seja no curso profissionalizante”

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A reitora Elaine Cassiano destacou que era uma honra receber a ministra em Bonito-MS, durante a Reditec.

“A Rede Federal de Educação, com quase 2 milhões de estudantes, acredita no poder transformador da sua presença e do seu compromisso com a educação pública. Precisamos estar mais próximos da senhora, construir pontes e fortalecer esse diálogo. A Rede Federal precisa de quem acredita no futuro e a senhora representa isso. Seja muito bem-vinda à sua terra natal, o nosso Mato Grosso do Sul”, disse.

Em entrevista antes de sua palestra, a ministra ressaltou o potencial da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica para contribuir com o desenvolvimento do Brasil. Para a ministra, a educação exerce papel essencial para reverter o cenário de retrocessos globais, que ela associa à falta de conhecimento.

“O que nós estamos vendo no mundo é um retrocesso do unilateralismo. Será que isso não tem a ver também com a falta de conhecimento?”, questionou.

Tebet defendeu que a educação precisa ser repensada para ir além das disciplinas básicas (português, matemática, história e geografia), colocando a ciência, a tecnologia, a inovação e a inteligência artificial no centro do currículo. O objetivo, segundo ela, é

“preparar a juventude, que um dia vai assumir o país e, quem sabe, a humanidade, para fazer melhor do que fazemos hoje”

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Sobre a importância do conhecimento, Simone Tebet destacou que governo ditatoriais, sejam de extrema-direita, sejam de extrema-esquerda, têm como um de seus primeiros atos buscar diminuir a importância da educação e da cultura, querendo fechar universidades, queimar livros e distorcer a história. “E a revolução se dá, os movimentos começam dentro da cátedra”, pontua.

Indagada sobre como o Governo Federal e a Rede Federal podem alinhar a questão orçamentária às demandas de consolidação e expansão das instituições de ensino técnicas federais, a ministra foi categórica: "O orçamento tem que servir, tem que estar à disposição para fazer e cumprir os objetivos e as metas estabelecidas pela educação básica, pelos cursos profissionalizantes, pelo Instituto Federal, pelo ensino universitário”.

Tebet também comentou que, muitas vezes, tem-se a ideia de que é o presidente da República, o ministro de Estado ou o governador quem dita as regras de políticas públicas. Mas que isso não se aplicaria a todas as áreas.

“Isso pode até ser verdade em muitas searas, mas não na educação. O conhecimento que é a base de tudo. Então, nesse aspecto, a gente está sempre no Ministério do Planejamento e do Orçamento procurando atender o MEC, de uma forma geral, naquilo que ele precisa”

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Gastos públicos – Durante a palestra, Simone Tebet ainda defendeu a importância da revisão de gastos públicos. Para a ministra, a medida é fundamental para realocar recursos em áreas prioritárias e combater a ineficiência. Ela justifica que a revisão de gastos não tem como objetivo gerar superávit ou pagar juros, mas sim "requalificar para aplicar". E ressalta que é preciso ter coragem para extinguir programas que não se justificam mais, pois “não atendem o interesse coletivo”.

"Revisar é para priorizar, porque o dinheiro é do povo", defende Tebet. Ela usou a metáfora de uma dona de casa que, com um orçamento limitado, precisa fazer escolhas difíceis. A partir daí, a ministra defendeu a capacidade de realocar o dinheiro para onde ele realmente é necessário:

“Quando a política pública é boa, a gente tira de outros ministérios, a gente tira de outros lugares e fala: vamos colocar mais na educação, vamos colocar mais na saúde, vamos colocar mais onde está dando certo”

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Durante a conferência, Simone Tebet ressaltou que, de forma lamentável, o Brasil nos últimos anos teve um retrocesso no que se refere ao orçamento brasileiro.

“O orçamento foi cada vez mais sendo sequestrado por vinculações, por uma pulverização, muitas vezes não só ineficiente, mas fraudulenta e por outros poderes. E, hoje, bilhões de emendas parlamentares são obrigatórias, afora outras”

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“E sabe quanto eu tenho de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que são os recursos que vão para fazer creches, escolas, postos de saúde, pontes, rodovias, recuperar um aeroporto, fazer saneamento, mobilidade urbana? Eu tenho mais de R$ 40 bilhões de emendas impositivas parlamentares e tenho apenas R$ 52 bilhões no Programa de Aceleração de Crescimento. O que nós temos esse ano de recurso livre para a União, livre mesmo, para cuidar do Brasil inteiro, é algo em torno de R$ 180 bilhões”, completa.

Mais dinheiro para a educação - Ainda sobre números, a ministra do Planejamento e Orçamento declarou que o orçamento para a área da educação aumentou de 2024 para 2025.

“O MEC tem 133 bilhões. Teve um aumento do ano passado para este ano de 8%”. Tebet enfatizou que o aumento do orçamento para educação, cultura e saúde é uma prioridade, superando o crescimento previsto pelo regime do arcabouço fiscal.

“A gente cumpre o piso, independentemente de furar o arcabouço. A prioridade é a educação, a cultura e a saúde”, afirmou.

Conforme a ministra, a participação federal no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que era de 10%, subiu ano a ano e deve alcançar 23% em 2026. Tal aumento se reflete nos valores aplicados: o repasse da União ao Fundeb saltou de cerca de R$ 10 bilhões para R$ 70 bilhões.

“O que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer que a responsabilidade da União é com o ensino universitário, curso profissionalizante, portanto, com os institutos. Nós estamos falando de R$ 133 bilhões, mas para o Fundeb vão R$ 70 bilhões”, destacou a ministra mostrando que o investimento na educação básica contrasta com o investimento no ensino técnico e superior, responsabilidade principal da União.

Encerramento - A ministra Simone Tebet finalizou a palestra na Reditec 2025 com uma reflexão pessoal e emocionada sobre desafios e carências do Brasil. Ela usou como ponto de partida o verso de Manoel de Barros "Tem mais presença em mim, o que me falta" e o adaptou para fazer um balanço sobre o que, em sua visão, é mais urgente para o país.

A ministra iniciou a reflexão com uma lembrança pessoal, citando que seu pai, Ramez Tebet, tem mais presença em si hoje. Ex-senador e ex-presidente do Congresso Nacional, ele faleceu há mais de 20 anos. “Como faz falta, ele que era daqueles políticos que tinham aquele idealismo, aquele sonho de um Brasil melhor".

Ela também direcionou uma pergunta à plateia.

“Agora eu fico pensando: o que mais hoje tem presença em mim, o que me falta quando eu penso de Brasil? Eu deixo essa pergunta para vocês. O que mais tem presença em vocês? Eu tenho certeza de que o que mais tem presença em vocês e o que falta em vocês não é aquilo que vocês têm na educação, é aquilo que para vocês falta na educação, é aquilo que falta no Brasil”

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Em seu discurso, a ministra listou de forma poética uma série de pontos que, segundo ela, "fazem falta" e "têm presença" em sua atuação como política. De modo objetivo, os temas abordados por Tebet são os seguintes:

  • Olhar mais atencioso para a primeira infância e proteção das crianças, especialmente das meninas, contra a violência;
  • Respeito ao trabalhador e à discussão sobre o fim da jornada “seis por um” para garantir dignidade e lazer;
  • Atenção à classe média, que "é sempre a primeira a ser cortada" e tem seu poder aquisitivo diminuído;
  • Respeito aos idosos, que poderiam ter uma velhice "mais produtiva";
  • Combate à fome, já que o Brasil é um grande produtor de alimentos, mas hoje há milhões de crianças no país que dormem sem ter o que comer;
  • Valorização e reconhecimento da profissão de professores e professoras.

Ao concluir a palestra, Simone Tebet reforçou a responsabilidade dos educadores em construir um futuro melhor para o país, mas não se eximiu do problema.

"E agora são vocês, professores e professoras, que têm essa grande missão pelo Brasil. Não estou tirando a responsabilidade minha como política, não. Eu estou apenas compartilhando aqui reflexões de alguém que lutou muito".

A conferência foi encerrada com a ministra tirando fotos com os participantes do evento. Antes, no percurso até o auditório, ela já havia feito questão de cumprimentar os expositores da Feira de Economia Solidária, visitando cada um dos estandes.